segunda-feira, 31 de março de 2008

LIDL espia colaboradores e pede desculpa pelas suas práticas. Schelecker pode usar métodos semelhantes

Poderia ser uma short-story inspiradora de um grande filme...

Na semana passada o semanário alemão Stern publicou um dossier com relatórios de várias páginas de detectives particulares contratados pelo grupo LIDL para acompanhar de forma sistemática a vida particular dos seus empregados. Depois de críticas políticas e ecos em vários outros jornais, a administração da LIDL emitiu hoje uma declaração de desculpas, argumentando que se sente chocada com as acusações que lhe estão a ser feitas. O anúncio publicado nos jornais alemães não desmente, no entanto, os factos relatados pelo relatório do Stern.

Uma das justificações da cadeia de distribuição alemã, que tem sido acusada de não respeitar direitos laborais, diz respeito aos numerosos furtos nas suas lojas, estimados pela empresa em 80 milhões de euros/ano.

Algumas forças políticas alemãs, incluindo responsáveis de sectores governativos, repudiaram a atitude do LIDL e, sem terem apelado directamente a um boicote contra a cadeia, fizeram saber que os consumidores têm o direito de saber como são tratados os funcionários das lojas onde fazem as suas compras, e devem tomar as atitudes que julgarem mais adequadas.

Já hoje, a versão inglesa online do alemão Der Spiegel noticia relatos de colaboradores do grupo SCHLECKER, outra cadeia discount alemã a operar em Portugal, revelando praticas de vigilância apertada aos seus funcionários sob o pretexto de controlo de furtos, mas em que os colaboradores admitem que é o seu próprio comportamento que está a ser monitorizado.

A notícia do Spiegel acrescenta que as práticas que agora são relatadas não serão exclusivas do LIDL e do Schlecker, devendo ser muito mais comuns do que seria de esperar. Um clima de medo e pressão criado sobre os funcionários poderá ser política corrente em muitas das cadeias discount.

A questão da privacidade e da liberdade individual é uma das questões mais sensíveis face às possibilidades tecnológicas actuais. A realidade alemã será muito diferente das práticas noutros países? Como é em Portugal? Será esta filosofia e modus operandi típica apenas das cadeias discount? Os fins justificam os meios? Sempre? Todos?

A pesquisa na web da associação das duas palavras LIDL+STASI dá origem a outro filme:

http://news.google.com/news?hl=en&ned=&q=lidl+stasi&btnG=Search+News

Investimento publicitário em jornais nos EUA cai 8%

2007 foi o segundo pior ano de sempre em receitas de publicidade nos jornais americanos, em mais de meio século, caindo 7,9% em relação a 2006. Este valor inclui o investimento em publicidade online, que manteve a sua tendência de subida. Considerando apenas os jornais impressos, a redução do valor de publicidade é de 9,4% num ano, a maior queda desde 1950.

A publicidade na internet nos sites noticiosos cresceu em 2007 18,8%, valor bastante inferior à extraordinária média de crescimento dos 3 anos anteriores – 30%. O investimento online representa apenas 7,5% das receitas de publicidade dos jornais.

NYT

domingo, 30 de março de 2008

EADS assegura contrato de fornecimento à RAF

Na passada semana ficámos a saber que a empresa europeia aeroespacial responsável pela Airbus (EADS - European Aeronautic Defense and Space) conseguiu conquistar à Boeing um contrato de 16.700 milhões de dólares para fornecimento de 14 aviões cisterna à Força Aérea do Reino Unido.

Este foi mais um duro golpe sofrido pela Boeing, menos de um mês depois do anunciado contrato entre o Pentágono e a EADS superior a 25.000 milhões de Euros.

As novas aeronaves para a RAF ( Royal Air Force ) serão construídas com base no modelo Airbus A330 e deverão entrar em serviço em 2011. O ministério da Defesa do Reino Unido assume com a EADS um contrato de 27 anos para garantir manutenção, formação, gestão de voo e serviço de terra para a nova frota. Os novos aparelhos equipados com motores Rolls Royce servirão para operações de transporte e abastecimento em pleno voo dos aviões de combate Tornado e Eurofighter Typhoon que equipam a RAF.

Este projecto irá criar 600 novos postos de trabalho no Reino Unido e ajudará a manter outros 3000. O acordo agora anunciado converte a EADS no principal fornecedor de aviões militares da RAF

BBC
El País


quinta-feira, 27 de março de 2008

TATA (rará!): Ford abre finalmente mão da Jaguar e da Land Rover

Qual será a estratégia do maior grupo industrial Indiano, fabricante de camiões e carros low cost como badalado Tata Nano, ao adquirir duas marcas de automóveis de luxo, Jaguar e Land Rover?

Depois de 9 meses de negociações e algumas falsas partidas, o negócio foi fechado por escassos 2300 milhões de dólares, conferindo aproximadamente à marca america menos-valias de 3000 milhões. Um rombo muito significativo na aventura europeia da Ford, abrindo em grande estilo as portas dos mercados Europeu e Americano ao indiano Tata Group. A Ford conserva agora na Europa apenas a Volvo.

Mas será que Europeus e Americanos conseguem abandonar ideias preconcebidas sobre a credibilidade de contrutores Indianos (e Chineses)? E terá a Tata Motors vocação para gerir duas das mais emblemáticas marcas de automóveis ?

Para já sabe-se que a Tata Motors pretende manter as 3 fábricas britânicas que agora controla e que a Ford continuará a fornecer motores e componentes para a Jaguar. O resto da aventura é uma grande incógnita.

Economist
Business Week

sábado, 22 de março de 2008

Dreamliner: novo Boeing 787 mais atrasado


Alterações no design de partes da asa do novo Boeing 787 podem atrasar o primeiro voo do modelo conhecido por Dreamliner. O 787 estará com pelos menos 15 meses de atraso, devido a problemas surgidos nas bases de produção e à necessidade de redesenhar algumas componentes do aparelho. Os clientes do novo modelo da Boeing não esperam receber os primeiros 787 antes do final do 3º trimestre de 2009.

Estas são expectativas de algumas companhias aéreas com encomendas colocadas à Boeing, que agora poderão accionar o pagamento de indemnizações, à semelhança do que tinha acontecido com a Airbus e os sucessivos atrasos no lançamento do A380. O gigante dos ares produzido pelo consórcio Europeu fez esta semana o seu primeiro voo comercial para a Singapura Airlines, ligando a cidade-estado asiática a Londres.

A Boeing deverá anunciar durante a próxima semana o reajustamento do seu plano e calendário de lançamento do 787. O objectivo inicial apontava para um voo inaugural no final de Junho e entrega do primeiro avião à All Nippon Airways no início de 2009.

O Boeing 787 será o primeiro grande avião comercial construído essencialmente por compósitos de fibra de carbono, materiais muito mais leves e duráveis do que os metais actualmente em uso, numa abordagem que deverá permitir à Boeing reduzir significativamente o consumo de combustível e custos de manutenção do aparelho, em relação aos standards de outros aparelhos comparáveis.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Supercycle: o apetite chinês

O dossier especial publicado na semana passada pelo Economist sobre a sobre a China actualiza os números que já nos preocupavam.

O país onde vive um quinto da população mundial consome mais de metade da carne de porco consumida em todo o mundo, metade do cimento, um terço do aço e um quarto do alumínio. Comparando com 1999, a China gasta actualmente 35 vezes mais em importações de soja ou crude, e 23 vezes mais em importações de cobre. Os carregamentos de minério de ferro com destino ao império comunista aumentaram em média anualmente 27% nos últimos 4 anos.

Impressiona todo este apetite voraz!

domingo, 16 de março de 2008

Air France-KLM compra Alitalia a preço de saldo

Soube-se este Domingo que a transportadora Italiana Alitalia aceitou a proposta de compra por 138 milhões de Euros, oferecidos pelo concorrente Air France-KLM, valor muito inferior ao inicialmente previsto.

A Alitalia acumulou prejuízos nos últimos 5 anos e corre agora contra o tempo para evitar falência.

A Reuters, noticia que a Air France-KLM ofereceu uma acção por cada 160 títulos do operador Italiano, valorizando-o a 10 cêntimos por acção, o que representa um desconto de 81% face ao valor actual das acções da Alitalia. Anteriormente, apontava-se como possível oferta da aliança Franco-Holandesa, uma acção por cada 70 títulos da Alitalia, avaliando a empresa em cerca de 317 milhões de euros.

A Air France ofereceu ainda 608 milhões de euros por obrigações convertíveis em acções da transportadora. A operação pode enfrentar a oposição dos sindicatos, que estão preocupados com possíveis despedimentos, necessitando ainda da aprovação do Governo de Roma, que irá mudar no próximo mês depois de eleições extraordinárias.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Syrah 2005, eleito melhor vinho tinto em Paris

O Syrah 2005 da Casa Ermelinda Freitas, de Fernando Pó (Palmela), foi considerado o melhor tinto num concurso em Paris, em confronto com mais de 3 mil vinhos de 36 países. O vinho, criado nos areais palmelenses, foi o grande vencedor do Vinailes Internacionales 2008.

Os vinhos concorrentes foram testados em prova cega por enólogos franceses. A Casa Ermelinda Freitas, que tem como responsável técnico o enólogo Jaime Quendera, é conhecida pela boa relação qualidade/preço dos seus vinhos de mesa, entre os quais se encontram os Terras do Pó, Quinta da Mimosa, Dona Ermelinda e Leo d’Honor.

quinta-feira, 13 de março de 2008

VW quer ganhar 10% de produtividade em cada ano.

A Volkswagen pretende crescer 10% ao ano na sua produtividade, nos próximos 3 anos. A meta do maior construtor europeu de automóveis foi fixada em 8 milhões de viaturas, para atingir até 2011. Este número representa 29% de crescimento de vendas, face aos 6.2 milhões conseguidos em 2007.

O plano estratégico da VW inclui a introdução de 20 novos modelos no mercado nos proximos 3 anos. SUV, carrinhas e pick-ups são segmentos onde a marca pretende expandir o seu portefólio.

Nos primeiros dois meses deste ano, a VW vendeu um total de 952.500 veículos, um crescimento de 11% comparativamente ao mesmo período de 2007.

WSJ

Galp, INETI e Alga Fuel vão produzir biocombustível através de microalgas

A Galp Energia em conjunto com o INETI e a empresa Alga Fuel anunciaram para 2009 o arranque de um projecto piloto para a produção de biomassa e biocombustíveis através de microalgas e respectiva absorção de CO2.

O objectivo do projecto é o desenvolvimento e implementação de uma unidade protótipo de produção de biomassa de microalgas e produção de óleo vegetal, com base na captura de gases de combustão. A unidade protótipo será instalada na refinaria de Sines da Galp, cuja operação arrancará em 2010.

A produção de microalgas permite a transformação de CO2 em matéria-prima aplicável na produção de biocombustível, sendo que cada tonelada de microalgas produzida consome pelo menos duas toneladas de CO2, dezenas de vezes mais do que as plantas terrestres. Esta abordagem poderá viabilizar ou optimizar unidades de produção industrial cuja actividade seja condicionada pelas emissões de CO2 ou Nox.

O projecto conta com a participação de cientistas de renome internacional e poderá levar à formação de um "cluster" nas áreas das soluções de produção sustentável de biocombustíveis, que seja competitivo a nível internacional.

As microalgas, também conhecidas por plâncton, são plantas unicelulares, capazes de se duplicar em cada 1 a 5 dias, possuindo um ciclo de vida rápido, o que permite uma selecção eficaz das estirpes com melhor desempenho, conseguindo domesticar-se uma espécie num espaço de tempo relativamente curto.

O recurso às microalgas para a produção de biocombustível visa a diversificação das fontes de energia, apresentando ao mercado novas soluções que privilegiem o combate às emissões de gases poluentes.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Reino Unido anuncia aposta na produção de energia nuclear

O Financial Times dá conta da vontade do governo britânico em apostar fortemente numa nova geração de centrais nucleares. Embora sem quantificar, o objectivo é um aumento "significativo" em duas décadas, do valor de fornecimento eléctrico de origem nuclear no país, estimado actualmente em 19%.

Depois de mais de 10 anos de indecisão, o processo de substituição dos envelhecidos reactores nucleares é agora considerado vital para garantir o cumprimento das metas britânias de corte de emissões de CO2 e redução da dependência de gás importado.

O plano do governo britânico visa substituir tão rapido quanto possível 10 centrais nucleares, das quais uma deverá encerar definitivamente em 2023. Antecipando em 1 ano um plano apresentado em Janeiro, a primeira das centrais da nova geração deverá ficar operacional em 2017.