sábado, 24 de abril de 2010

A teia e a mentira, J Pacheco Pereira no @publico

(…)
É assim que Portugal está, apanhado, preso numa rede de mentiras, tecida como se uma multidão de aranhas o mumificasse numa teia para lhe sugar o último dos fluidos e o deixar ali, seco e desfeito, ao vento, até se tornar o pó, de onde todos viemos e para onde todos vamos.
... já somos parte de uma mentira tão entrelaçada com as outras que não conseguimos ter sentido nem direcção.
(…)
A democracia não é o país das "multidões" que vivem na demagogia e nunca o reino da mentira, o principal dissolvente social, se institucionalizou como um hábito, um quotidiano, uma respiração. Não é só enganados e querendo ser enganados, é também enganando. Enganando, vivendo num trem de vida sem meios para o pagar. Vivendo no engano da dívida que será o absoluto acordar para os que terão que o pagar. Vivendo num presente de distracções adiando para o futuro a factura. Cada crédito pessoal para comprar uma viagem às Caraíbas, ou um novo plasma, é o sinal da nossa mentira. O tal estado de negação. A web of lies.
… o exemplo vem de cima. Vem do Governo....
O ministro das Finanças, esse, leva todos os dias com uma dose de realidade tão forte que não pode sonhar muito. Mas o resto do Governo está ali a participar numa mentira colectiva: a de que há governo em Portugal.
(…)
Os porteiros podiam fazer de ministros que não se dava por ela. 
(…)
E o primeiro, esse então produz rede como uma activa obreira aracnídea
(…)

J Pacheco Pereira, Público, 20100424

Posted via web from Zoid's reading the Wide Web

Sem comentários: