sexta-feira, 4 de julho de 2008

Meter água

O DE dá conta das trapalhadas identificadas pelo tribunal de contas em relação à gestão da Águas de Portugal: “Lucros empolados, explorações ilegais e prémios sem critério para trabalhadores”.

O Tribunal de Contas (TC) acusa: “O grupo AdP [Águas de Portugal] foi utilizado como instrumento da política externa do Governo português, tendo sido incentivada a sua expansão pelos mercados onde o Governo desenvolvia acções de cooperação”. O organismo presidido por Guilherme d’Oliveira Martins avança que “esta decisão teve fortes impactos negativos para o grupo empresarial traduzidos num sistemático esforço de financiamento e num acumular de resultados económico-financeiros acentuadamente negativos”.

Os números assustam: só em 2005 e 2006 a unidade de negócios internacional da Águas de Portugal registou prejuízos acumulados de 61,4 milhões de euros. Em relação à política de alienação dos negócios fora de Portugal ( Brasil e Cabo Verde, p. ex.), defendida pelo responsável do grupo AdP desde 2005, Pedro Cunha Serra, o TC adverte, que “esta operação traduziu-se num prejuízo contabilístico de 72,3 milhões”.

A AdP mantém ainda uma concessão em Moçambique e contratos de prestação de serviços em Angola e na Argélia. A política de internacionalização da AdP foi iniciada no final dos anos 1990, quando foi seu presidente, entre 1996 e 2002, o actual ministro das Obras Públicas, Mário Lino.

Muito relevante ainda, na auditoria conduzida pelo TC é o facto de que “nove empresas do grupo AdP procediam, em Dezembro de 2007, à captação de água em 72 locais diferentes sem estarem legalmente autorizadas para o efeito”.

Chama-se a tudo isto…meter água (suja)!!

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